Tyr – O Deus da Batalha

Na mitologia nórdica, Týr ou Ziu ou ainda “Tyrr” é o deus Æsir do combate, do céu, da luz, dos juramentos e por isso patrono da justiça, precursor de Odin . Ao tempo dos vikings, Týr abriu caminho para Odin, que se tornou ele próprio o deus da Guerra; filho do gigante do mar do inverno Hymir, passou a ser considerado filho de Odin, devido a sua coragem e heroísmo em batalha, representado por um homem sem a mão direita.
Na mitologia grego-romana, seria o equivalente a Marte (deidade ou anjo protetor, dos soldados e dos que se envolviam no Estado de guerra).
Ele perdeu a mão direita ao colocá-la na boca do deus-lobo Fenrir, o que permitiu que os deuses prendessem Fenrir.
Seu símbolo é a lança, na mitologia nórdica tanto uma arma como um símbolo de justiça. É também identificado com Tîwaz.

Num primeiro momento, Tyr, o deus do combate singular e da glória, detinha tanta importância quanto Odin e Thor. Na verdade, ele é o único entre os AEsir cuja força se compara à do deus do trovão. Com o passar do tempo, porém, Tyr foi sempre lembrado por ter sido o único entre os AEsir que teve coragem de colocar sua mão na boca do lobo Fenrir, como garantia para que a fera se deixasse prender. Esse sacrifício representa a glória imortal que o deus personifica, a principal virtude cultivada entre os nórdicos, conforme atesta um poema islandês: “O gado morre, / A cevada acaba, / Os parentes se vão. / Todos os homens são mortais. / Apenas uma coisa não morre jamais: / A glória entre os feitos.”

Mas, apesar da sua coragem e habilidade em batalha, o deus, que, em inglês empresta seu nome à terça-feira (Tuesday, isto é, “dia de Tiw”), um dos nomes pelo qual Tyr também é chamado), está destinado a morrer durante o Ragnarök. Na batalha final, Tyr irá matar e ser morto por Garm, o cão que guarda Hel, o reino dos mortos.

“…Os romanos identificavam Tyr com o deus Marte, seu deus da guerra, mas Tyr é muito mais que isso. O nome deriva da mesma raiz indo-europeia que nos deu o grego Zeus, portanto ele deve ter sido originalmente um deus do céu. É um dos dois deuses para quem é resignada a Runa Tiwaz (Tir anglo – saxão), ↑.     
Este elemento pode estar presente no poema rúnico anglo-saxão: “Tir é uma estrela guia, que cumpre perfeitamente o que promete aos príncipes; está em marcha sobre as névoas da noite, jamais falhado”. Seus mais antigos lugares sagrados ficam nos topos das montanhas, perto do céu.
Mas uma antiga dedicatória germano-romana a “Mars Thingus” (Marte da Assembleia) sugere que ele também era visto como um deus da soberania e da ordem justa, e este aspecto sobreviveu no saber tradicional. Na Era Viking, Tyr era invocado para a vitória na batalha, mas provavelmente o que lhe dizia respeito não era a guerra, mas o holmganga – o julgamento pelo combate, que funcionava como última corte de apelação. 
Na Era Viking, embora Tyr fosse conhecido por ser o mesmo tempo sábio e bravo, só sobreviviam duas histórias e seu respeito. Na “Balada de Hymir”, ele e Thor vão até Jötunheim à procura de um caldeirão suficientemente grande para preparar cerveja para todos os deuses. Seu papel aqui é menor e o poema é importante principalmente porque indica que Tyr vem de uma família de gigantes. 
A segunda e única narrativa em que Tyr desempenha um papel principal é a história da amarração do lobo Fenrir, contada na Edda em Prosa. O lobo era um dos filhos de Loki com a giganta Angrboda. Durante algum tempo os deuses o mantiveram em Asgard e Tyr era o único que tinha coragem de alimentá-lo. Mas o lobo continuava crescendo e comendo, até que se tornou claro que, se não fosse contido, destruiria todos eles. Os deuses tentaram amarrar Fenrir, mas ele quebrava cada corda que conseguiam criar. Os deuses então pediram que os anões fabricassem a corda chamada gleipnir, que era feita de seis coisas impossíveis: o som de um passo de gato, a barba de uma mulher, as raízes da montanha, os tendões de um urso, a respiração de um peixe e cuspe de um pássaro. Quando a corda ficou pronta, pediram que o lobo a experimentasse, garantindo que ele a romperia com facilidade, mas desta vez Fenrir suspeitou de uma cilada e disse que só concordaria em ser amarrado se, como segurança os deuses pusesse a mão em sua boca.
O único que teve coragem de fazer isso foi Tyr e, quando ficou comprovado que a corda não se rompia, Fenrir mordeu e decepou-lhe a mão. Aqui vimos o paradoxo do deus cuja essência é a integridade participando de uma fraude. Como resultado, o deus que ajuda o guerreiro não tem a mão direita. O deus que criou o lobo é o mesmo que o amarra. A violência controla a violência. Seguindo este exemplo de sacrifício, encontramos coragem para amarrar os lobos dentro de nossas próprias almas.
Não temos descrições da aparência de Tyr. Costumo imagíná-lo como uma criatura meio magra, como cabelo preto grisalho, olhos castanhos, expressão um tanto severa ou pensativa, usando uma camisa de malha e um manto de lã vermelho-escuro. Hoje, embora alguns vejam Tyr como um guerreiro disciplinado, outros o veneram como exemplo de integridade e autossacrifício para o bem comum – ele foi, afinal, o único dos deuses disposto a pagar o preço para enganar o lobo. É, portanto, visto como um deus da justiça e aqueles que lhe pedem ajuda nessa área procuram se certificar que estão com a razão, pois o que vão receber é a verdadeira justiça. Pedimos a sua ajuda para entender e fazer as opções difíceis e cumprir os nossos juramentos. Ele é frequentemente procurado pelos que têm problemas legais ou penais e pelos militares.
Para conhecer Tyr, devemos estar dispostos a nos encarar de frente, a reconhecer nossas faltas, a faze o que pudemos para corrigi-las e a lidar de forma digna com os outros. A melhor dádiva que podemos oferecer a ele é cumprir nossas obrigações para com a terra, a comunidade e os deuses. Mas se você quiser reverenciá-lo num ritual, por exemplo para pedir sua ajuda num caso legal ou sua proteção para entes queridos servindo em tempo de guerra, pode cobrir o altar com uma toalha vermelha – escura e encher o chifre com um vinho tinto forte, como o Sangue de Boi. A comida para a ceia pode incluir rosbife e pão preto artesanal.
Os símbolos de Tyr incluem a mão ou luva cortada, a estrela e o Irminsul, uma coluna que o cronisa Widukind do século X nos conta que foi erguida pelos saxões em honra de Marte para celebrar uma vitória e derrubada por Carlos Magno. O Irminsul é um eixo do mundo, ligando o céu e a terra.
O que se segue é uma invocação:

Tyr, ouve nosso apelo! Defensor invicto
E senhor da Allthing, dá-nos ajuda agora!
Quando Fenrir alimentavas, da Besta foste o amarrador,
Tua mão – ganhando fama – abençoa nossa batalha!
Sê nossa estrela, brilhante farol nas trevas,
Seguros como o Irmnsul, possamos agora permanecer
Senhor da justiça, recebe esta oferenda!

Ou cante:

Tyr, concede proteção da lança,
Louvamos a ti agora;
Medo preso a vitória alcança,
Amarra os lobos por dentro e fora! “

                             [Diana L. Paxson – Asatrú]                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                           

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                 

  • ELEMENTOS: fogo, ar
  • ANIMAIS TOTÊMICOS: lobo, cão
  • CORES: vermelho-escuro, púrpura
  • PLANTAS: espinheiro, carvalho, verbena, zimbro, pinheiro
  • PEDRAS: granada, topázio, rubi, safira-estrela, diamante
  • METAIS: estanho, bronze
  • SÍMBOLOS: escudo, elmo, flecha, espada, juramentos, leis, ordem, a estrela Polar e Arcturus, Sirius e as Plêiades.
  • DIA DA SEMANA: Terça – Feira
  • PALAVRA-CHAVE: luta, vitória e garantia do cumprimento de compromissos.
  • RITUAIS: para atrair a justiça e a manifestação da verdade, em disputas legais e processos jurídicos, para conseguir vencer nas batalhas justas, para selar juramentos e compromissos.
  • RUNAS: gebo, algiz, tiwaz, sowilo, mannaz, dagaz,

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